O conceito trazido hoje será o de Análise SWOT. Do Inglês: Strenghs, Weaknesses, Opportunities, Threats. Essa é uma ferramenta de gestão muitíssimo utilizada para diagnosticar as possibilidades de uma empresa no cenário corporativo. Faz parte do seu Planejamento Estratégico. Mas pretendo estender esse conceito para o ser humano. Afinal, você conhece seus próprios pontos fortes e fracos? Já fez uma lista? E quanto às oportunidades e as ameaças que enxerga diante de si mesmo? Vamos trabalhar esta questão aqui.
O conceito foi introduzido pela primeira grande Escola de pensamento estratégico organizacional: a Escola do Design. Também adotada pelos escalões militares internacionais. A idéia de fazer uma análise SWOT de uma organização (uma empresa, por exemplo) é forçá-la a uma reflexão objetiva, sistemática e detalhada à respeito de si mesma. Um raio-X. A análise subdivide-se em aspectos endógenos (forças e fraquezas) e exógenos (oportunidades e ameaças), o que exige da organização (que pode ser extensivo para uma pessoa física) perceber-se tanto por dentro quanto de fora para dentro, o seja, dentro do ambiente no qual está inserida (mercado, país, mundo).
Um método muito utilizado é iniciar a análise SWOT fazendo-se um grande quadro num folha de papel branca, dividindo o mesmo em quatro grandes quadrantes: primeiro, nos dois da esquerda, coloca-se forças e fraquezas, um em cada bloco. Baseado nestes, e à direita, escrevem-se as oportunidades e ameaças. O segundo passo – mais demorado, trabalhoso e reflexivo – é depurar cada um dos tópicos, explicando para si mesmo por que aquilo está ali, ou seja, o porquê de tratar-se de uma força ou fraqueza, oportunidade ou ameaça. Uma terceira e última etapa é propor – baseado nos resultados revelados nas duas etapas anteriores – formas de eliminação das ameças, de aproveitamento de oportunidades, de exploração das forças e de minimização das fraquezas.
Infelizmente, em função da natureza do ser humano, certas fraquezas são inexoráveis e inextingüíveis; ao passo que certas forças também não são possíveis de serem desenvolvidas. Por exemplo, uma pessoa pode se matricular num curso de Francês e desenvolver, no longo prazo, uma força que irá possivelmente gerar oportunidades. Contudo, um sujeito muito impaciente jamais tornar-se-á muito paciente. Quando muito poderá educar-se a controlar o impulso que lhe é intrínseco por natureza, tornando-se menos impaciente. Além disso, a história mostra ser geralmente mais valioso investirmos tempo e energia na maximização das forças já existentes – passando do ótimo para o excelente ou do excelente para o genial – que na tentativa de transformar fraquezas consagradas em novas forças ou pseudo-forças, o que, no final das contas, costuma apenas transformar o ruim em medíocre.
O que nossas forças nos sugerem? Oportunidades. Por exempo, para um indivíduo que possui boa escrita, muito acima da média, uma oportunidade seria sua atuação profissional remunerada como escritor. Enquanto isso, uma fraqueza, alerta-nos para uma ou mais ameaças. Se você ainda não possui nível de Mestrado e é professor de uma universidade no Brasil, você está ameaçado, no médio prazo, pois a tendência vem sendo a exigência de Mestrado como nível mínimo para lecionar no ensino superior.
O valor da análise SWOT é, sobretudo, conhecer-se a si mesmo. Numa entrevista de emprego, por exemplo, há entrevistador que pede ao entrevistado para citar suas qualidades e defeitos. E a maioria dos candidatos sente-se desconfortável em falar sobre os próprios defeitos, ainda mais nesta circustância. Acaba só enumerando suas qualidades para o entrevistador, como se não possuísse fraquezas. Mas a pergunta central é: quem não possui fraquezas ou defeitos? Afinal, defeitos não são intrínsecos às próprias organizações e aos indivíduos? A chave, então, parece ser o pleno conhecimento e reconhecimento dos póprios defeitos para ter-se uma idéia clara daquilo que você pode se meter a fazer ou não (seja dentro de uma empresa ou no resto da vida). E certemente haverá, no mundo profissional e social, uma função à qual você estará bem adaptado, nem que precise se ajustar um pouco. Mas não é verdade que somos capazes de adaptar-mos – pelo menos não confortavelmente – a qualquer circustância.
Portanto, um indivíduo possuidor de uma Auto-análise SWOT tem uma importante ferramenta para a gestão de si mesmo: para onde vai, e por que caminhos, são perguntas que ele poderá começar a se re-responder (isso mesmo, um recomeço) baseado no seu perfil SWOT. Repito: parece óbvio, mas nossas forças e fraquezas não são tão evidentes assim, nem para nós mesmos. O ser humano tende a ser míope e astigmata quando sozinho diante do espelho. Convém pedir opinião alheia. Perceber oportunidades e ameças – as quais são baseadas justamente nas forças e fraquezas identificadas – é ainda mais difícil. É preciso sentar, pensar e começar a escrever S, W, O e T. Leva tempo. Depois, e só depois, é que começamos a nos perguntar os porquês.