O Exército virou a Geni da vez. O governador do Rio, o ministro da Justiça e o efelentíssimo querem distância da instituição (que está subordinada a Lula, foi enviada para trabalhos urbanísticos por Nelson Jobim e recebida por Cabral), e o Judiciário cumpre a missão salvadora dizendo: ‘fora’. Não é que Reinaldo Azevedo tinha razão? Reproduzo aqui um post dele:
Título: O Exército e o Morro da Providência 3 – O falso confronto.
Ninguém sabe quantos corpos o narcotráfico faz por dia. Por ocasião do assassinato de Tim Lopes, a polícia chegou a áreas antes restritas aos criminosos. Encontraram-se verdadeiros cemitérios clandestinos. Tudo é resolvido por lá mesmo, como se fosse um problema da “própria comunidade”, sem “interferência externa”, da polícia ou do Exército. Quando são as forças legais que matam ou, como parece ser o caso, deixam matar, então temos os protestos em penca: ONGs, entidades de defesa dos direitos humanos, OAB… Não as censuro por isso, não. Se não pudermos contar com a lei, com quem vamos contar? Há que se protestar mesmo! O Exército está lá para oferecer segurança. Mas por que essa gente é tão seletiva? Justifico o clamor de agora diante das mortes excepcionais. O que não entendo é o silêncio cúmplice diante das mortes rotineiras. Fui claro?
Quando se dá a guerra de facções ou quando um grupo ajusta as contas com aqueles que não cumprem as ordem do comando, o asfalto branco se cala. Fica parecendo que logo ali acima estão, sei lá, os ianomâmis ou alguma tribo isolada, com direito a viver segundo as suas próprias leis. Os que rejeitam que o estado de direito suba o morro — e, lamento dizer, será à força, sim — estão apenas sendo cruéis à sua maneira. Mas, é certo, é para garantir a lei que as Forças Armadas deveriam ocupar o morro, não pra praticar o crime.
Por que faço essas observações? Porque já começo a perceber o narcotráfico a ditar a pauta, opondo uma suposta comunidade vítima da truculência a um suposto Exército assassino. E esse, obviamente, é o falso confronto. O verdadeiro é outro: é o que se dá entre o crime organizado e os cidadãos honestos que moram na favela.