Julho 17, 2008

Atendendo a pedidos: um pouco sobre inflação (by Cris)

Eu, devo confessar, passei uns meses afastada do noticiário econômico. Mas dia desses me pediram: quando tiver um tempinho, posta algumas linhas sobre essa história de inflação lá no PQ. Então, aqui estou eu.

Back to basics. A inflação nada mais é do que a perda de poder aquisitivo de uma moeda, medida pela alta dos preços de uma economia. Ao longo da história, diferentes escolas de pensamento econômico identificam diferentes causas do processo inflacionário. Atualmente, dá-se como certo que a inflação é causada por um descompasso entre oferta e demanda. Se o descompasso é causado por um aumento do consumo agregado (consumo do governo, consumo das famílias e consumo externo), a inflação é de demanda. Se é causado por aumento dos custos de produção, a inflação é de custos. O combate a inflação consiste no ajuste de oferta e demanda da economia, por meio de medidas que estimulem o lado em defasagem e/ou que segurem o lado aquecido.

Além disso, a teoria das expectativas racionais nos mostra que uma âncora nominal minimiza os custos da política monetária, isto é, faz com que o esforço para se conter a inflação dentro de um patamar considerado aceitável comprometa menos o crescimento econômico. No caso brasileiro, assim como na maior parte dos países avançados hoje, a âncora nominal é a meta de inflação. Uma vez definida a meta nominal de inflação, os agentes (que são racionais), tem um único parâmetro para ancorar suas expectativas e basear suas ações. Para que a âncora seja eficiente, porém, é preciso que a autoridade monetária tenha credibilidade. Se os agentes não acreditam que a meta será alcançada, a economia funciona como se não existisse uma âncora. Assim, o BC deve responder a qualquer crise para manter crível sua disposição em cumprir a meta.

Da teoria ao mundo real. Se na teoria a inflação é causada por um ou outro fator, o mundo real não é tão simples assim. Atualmente, é possível dizer que a inflação no Brasil é tanto uma inflação de custos como de demanda. A alta internacional dos preços das matérias primas aumenta os custos de produção em toda a cadeia produtiva e gera descompasso entre oferta e demanda. Por outro lado, o crescimento da economia brasileira tem como conseqüência direta o aumento do consumo das famílias. Sem falar que estamos em ano eleitoral, o que de praxe aumenta também o consumo do governo.

Quando a inflação é gerada por fatores distintos, o combate - claro - se torna mais complexo. Se a inflação é de custos, o mais plausível é que sejam tomadas medida que estimulem a produção: redução de juros, de impostos, etc. Se o problema é o consumo, a melhor saída é contê-lo: redução de crédito ao consumidor e, claro, aumento de juros. A atual alta nos preços do petróleo e dos alimentos (inflação de custos) não é causada por fatores internos a economia brasileira, de modo que estimular a oferta não evitaria que os preços continuassem em alta. Aqui um bom resumo sobre a famosa crise dos alimentos, deixando claro que o buraco é mais embaixo. Resta, então, o combate a inflação de demanda. E é isso que o BC vem fazendo: controle de crédito ao consumidor e aumento dos juros.

Perigo a vista? Como vemos, a atual crise de preços não é um fenômeno isolado nem setorialmente, nem geograficamente. Em um mundo global, os problemas suas causas e conseqüências também são globais. Uma resposta isolada do BC brasileiro, do FED americano não são mais suficientes para controlar a crise. É preciso uma ação global. Manobrar um barquinho é fácil. Manobrar o transatlântico que é a economia mundial é uma tarefa bem mais complexa. Exige coordenação, tempo e paciência. Durante a manobra, ou derrubamos a demanda e causamos uma recessão, ou convivemos com uma inflação um pouco mais salgada, próxima ao teto da meta. E é aqui que mora o perigo. Conviver com uma inflação mais salgada significa perder renda real e ninguém quer perder renda real. Então, o que fazemos? Ah! Claro, trazemos de volta nossa velha amiga conhecida: a correção monetária!

Se existe um perigo na atual crise de preços é a discussão acerca da volta da indexação. A hiperinflação dos anos 80/90 no Brasil só foi possível graças a correção monetária. Os preços subiam exageradamente? Sem problemas: impostos, tarifas, aluguéis e salários iam atrás, automaticamente. O problema da correção monetária é que ela encomenda para o futuro a inflação corrente, de modo que a política monetária é bem menos eficiente. Com o Plano Real, a cultura da correção monetária perdeu força, mas, não se enganem, não morreu. Contratos de aluguel, planos de saúde e mensalidades escolares, por exemplo, continuam sendo atrelados a índices de inflação passada. Isso sem falar de quase todas as tarifas públicas. Com o tempo, na medida em que a inflação se mantinha “comportada”, a indexação nesses contratos foi perdendo importância, mas não foi extinta. Porém, só isso não seria capaz de trazer o monstro da inflação de volta. Afinal, tudo isso está ai desde 1994. O perigo existe quando os custos mais importantes para as empresas são automaticamente ajustados pela inflação: impostos e salários.

Admitir a volta da indexação seria tomar a crise atual como um novo paradigma, aceitar que, com algum atraso, Malthus estava certo. A perda de renda real dos trabalhadores deve sim ser compensada com reajustes salariais. Mesmo porque, a economia se encontra num momento de crescimento. Mas admitir a volta de mecanismos de correção monetária, isso sim, seria uma herança maldita.

Junho 30, 2008

Microsoft: só o Bill Gates não quer mais trabalhar lá (by carlos)

Uma notícia interessante a respeito de quantas pessoas estão deixando a Google (sim, sim, a Google) para ir trabalhar na Microsoft. Tem um apanhado aqui. E também uma matéria da Fortune. Parece que o tal ambiente de trabalho ultra-cool da Google só agrada quem acabou de se formar…

Lógico que existem alguns mitos sobre trabalhar na Microsoft, mas eles fazem questão de esclarecer.

Aproveitando, o Pato vai sentir saudades do Bill Gates e deseja um bom trabalho na fundação dele. Fica a pergunta de como vai ser pra ele trabalhar com alguma coisa que não dá pra reiniciar… =P

PS: Eu adoro o Windows, mas a piada foi inevitável. Aliás, eu diria que é política da empresa. Aqui mais um vídeo… só que sobre o último dia de trabalho do Bill (com participações de George Clooney, Bono Vox, Al “Inconvenient-and-pain-in-the-ass” Gore, etc).

Junho 23, 2008

Bem lembrado (by taciana)

Quem pode, pode? Aqui.

Junho 18, 2008

Os 11 militares estão presos. E os traficantes?

O Exército virou a Geni da vez. O governador do Rio, o ministro da Justiça e o efelentíssimo querem distância da instituição (que está subordinada a Lula, foi enviada para trabalhos urbanísticos por Nelson Jobim e recebida por Cabral), e o Judiciário cumpre a missão salvadora dizendo: ‘fora’. Não é que Reinaldo Azevedo tinha razão? Reproduzo aqui um post dele:

Título: O Exército e o Morro da Providência 3 - O falso confronto.

Ninguém sabe quantos corpos o narcotráfico faz por dia. Por ocasião do assassinato de Tim Lopes, a polícia chegou a áreas antes restritas aos criminosos. Encontraram-se verdadeiros cemitérios clandestinos. Tudo é resolvido por lá mesmo, como se fosse um problema da “própria comunidade”, sem “interferência externa”, da polícia ou do Exército. Quando são as forças legais que matam ou, como parece ser o caso, deixam matar, então temos os protestos em penca: ONGs, entidades de defesa dos direitos humanos, OAB… Não as censuro por isso, não. Se não pudermos contar com a lei, com quem vamos contar? Há que se protestar mesmo! O Exército está lá para oferecer segurança. Mas por que essa gente é tão seletiva? Justifico o clamor de agora diante das mortes excepcionais. O que não entendo é o silêncio cúmplice diante das mortes rotineiras. Fui claro?

Quando se dá a guerra de facções ou quando um grupo ajusta as contas com aqueles que não cumprem as ordem do comando, o asfalto branco se cala. Fica parecendo que logo ali acima estão, sei lá, os ianomâmis ou alguma tribo isolada, com direito a viver segundo as suas próprias leis. Os que rejeitam que o estado de direito suba o morro — e, lamento dizer, será à força, sim — estão apenas sendo cruéis à sua maneira. Mas, é certo, é para garantir a lei que as Forças Armadas deveriam ocupar o morro, não pra praticar o crime.

Por que faço essas observações? Porque já começo a perceber o narcotráfico a ditar a pauta, opondo uma suposta comunidade vítima da truculência a um suposto Exército assassino. E esse, obviamente, é o falso confronto. O verdadeiro é outro: é o que se dá entre o crime organizado e os cidadãos honestos que moram na favela.

 

Junho 17, 2008

Antes tarde…

Patos sem tempo. Mas, para constar, eis uma lista importante: quem votou SIM para que a CPMF retorne.

Clodovil Hernandes votou NÃO.

NÃO também foi o voto de toda bancada DEM, PSDB, PSOL, PPS, PV, PRTB.

Brasileiro não conhece história, tem memória curta e está acostumado com impostos imorais. Portanto, os que votaram SIM podem aproveitar as verbas liberadas e dormir com a certeza de que tudo vai acabar bem (e sonhar com suas reeleições).

Junho 9, 2008

Finley (by taciana)

“The child had survived the abortion and thrived in the womb. ‘I couldn’t believe it,’ said Miss Percival. ‘This was the baby I thought I’d terminated”.

Aqui em inglês.

Aqui em italiano (uma ótima análise).

Junho 4, 2008

Discurso! Discurso! (by taciana)

Alguns textos são bons. Outros, são memoráveis. Aqui.

Via Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

Junho 2, 2008

Em um mundo diversificado (by taciana)

Maio 27, 2008

Meu Estado, meu deus. (by taciana)

Nada melhor do que um Estado compreensivo, não é mesmo, minha gente?

Aqui.

Maio 21, 2008

De vez em quando eles assumem… (by Carlos)

A gente acha que eles nunca vão assumir, mas às vezes eles soltam alguma coisa. Aqui.