Novembro 11, 2008

Recesso

Pato Quântico está em recesso por tempo indeterminado. O blog não sobrevive às nossas festas, encontros, almoços, cafés, jantares, reuniões de vida intensa e cheia de beleza.

Aquele abraço e até breve, o dia em que a vontade voltar e o tempo permitir!

Setembro 3, 2008

Os pais da T4Fun são responsáveis pelo comportamento da filha?

Eu faço parte do grupo de otários que acreditou que a Time for Fun (T4Fun) venderia os ingressos do show de Madonna de uma forma organizada e eficaz. Noite de sono perdida (dormir três horas configura uma ‘noite perdida’, não?), irritação, frustração, e, por fim, um cartão de crédito com um débito de R$1.200,00, mas NENHUM recibo que comprove que os ingressos são meus (apesar de constarem na fatura do cartão, repito).

Gostaria de entender como uma empresa que foi comprada por US$ 150 MILHÕES DE DÓLARES não consegue estruturar uma logística para aquilo que é sua vocação original, ou seja, entretenimento! Gostaria que o Sr. Armínio Fraga  (ex-presidente do Banco Central) e o Sr. Fernando Altério, DONOS da empresa, viessem a público para explicar porquê não conseguem manter uma central de atendimento ao consumidor que (vejam só!) ATENDA O CONSUMIDOR (que deseja apenas saber SE TEM o ingresso OU NÃO TEM, como no meu caso), ao invés de deixá-lo horas e horas ouvindo musiquinhas e gravações.

Imaginem milhares e milhares e milhares de reais sendo debitados e lançados…imaginem o trabalho dos proprietários de cartões para fazer o estorno….  Imaginem que como sempre, tudo não passou de um problema de organização e ninguém sabe de nada.

É só mais uma história para lembrar como faz falta ter uma legislação que seja aplicada e um justiça mais rápida. Se a Gávea Investimentos (do Sr. Armínio Fraga) e a  F.A Participações (do Sr. Fernando Altério) levassem multas descomunais e fossem processadas, talvez parassem de brincar com os consumidores (e também com seus patrocinadores) com a mesma facilidade com que brincam com seus milhões e milhões e milhões de dólares.

Agosto 29, 2008

Agora esclarece, por favor

Vão abrir o precedente? Ok. Mas será que dá para explicar bem explicadinho como é o procedimento? Bebês de termo nascem entre a 37ª e 41ª semana. O pedido para matar esse aí ocorreu quando completou a 28ª. Portanto, na linguagem popular, a mulher está grávida de 7 meses.

Como matam o bebê? Ou melhor, como interrompem a gravidez traumática? Injeção? Fratura? Abandono numa mesa, lata, caixa?

Já pensaram como seria desconfortável se esse bebê fosse como Marcela? Os diagnósticos mostravam anencefalia. Recomendação médica de aborto, aborto, aborto. Não houve aborto. A menina viveu 1 ano e 8 meses.

Mas a vida dela não é argumento. Porque agora Marcela não faz mais parte da categoria ‘anencéfala’. O médico que fez o diagnóstico diz que errou porque não analisou bem o caso. Não analisou? E os outros? Também não analisaram? A médica que cuidava dela? Os médicos que recomendaram o aborto? Por que todos ficaram calados durante UM ANO E OITO MESES e só agora (depois de morta) insistem no jogo de palavras?

Abram o maldito precedente. Mas, por favor, parem com a falácia ideológica. Expliquem tudo. Expliquem que a leitura do ultra-som da Marcela e a indicação de aborto foram um erro bobo. Expliquem d-i-r-e-i-t-i-n-h-o como será o fim do bebê de 7 meses. Parem com essa besteira de que é pelo bem da mulher, porque – segundo a medicina pérfida de vocês – uma vida de dois dias não é vida. Sejam claros. Se é que vocês têm coragem.

Agosto 18, 2008

Imperdível (by taciana)

Hoje, 18 de agosto de 2008, às dez da noite.

AYAAN HIRSI ALI no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Agosto 18, 2008

Pela liberdade de educar (by taciana)

“O que eu queria mesmo é que outros alunos da rede pública fossem submetidos ao mesmo exame, só para a gente fazer uma comparação justa”

Nós também, Sr. Nunes. Nós também.

E ao que parece, o senhor tem apoio de muita gente que entende do assunto (o texto estava na caixa de comentários sobre a matéria): 

“Sou professor da rede pública, e concordo com os pais dos garotos. Enfrentamos muitos problemas na educação, e uma delas é a aprovação automática de alunos inaptos. No Ensino Médio, encontramos alunos que são analfabetos funcionais, e ainda aqueles pais que imaginam que a escola é uma creche apenas”. (Luis Marcel)

Agosto 11, 2008

And the golden medal goes to (by taciana)

A Anistia Internacional mandou produzir cartazes para as Olimpíadas, mas rejeitou divulgá-los porque foram considerados violentos demais. Se fosse contra a guerra do Iraque, contra Guantanamo, contra os EUA, teriam sido reprovados?

Até a Anistia Internacional prefere calar quando o assunto é China.

Aqui.

Julho 17, 2008

Atendendo a pedidos: um pouco sobre inflação (by Cris)

Eu, devo confessar, passei uns meses afastada do noticiário econômico. Mas dia desses me pediram: quando tiver um tempinho, posta algumas linhas sobre essa história de inflação lá no PQ. Então, aqui estou eu.

Back to basics. A inflação nada mais é do que a perda de poder aquisitivo de uma moeda, medida pela alta dos preços de uma economia. Ao longo da história, diferentes escolas de pensamento econômico identificam diferentes causas do processo inflacionário. Atualmente, dá-se como certo que a inflação é causada por um descompasso entre oferta e demanda. Se o descompasso é causado por um aumento do consumo agregado (consumo do governo, consumo das famílias e consumo externo), a inflação é de demanda. Se é causado por aumento dos custos de produção, a inflação é de custos. O combate a inflação consiste no ajuste de oferta e demanda da economia, por meio de medidas que estimulem o lado em defasagem e/ou que segurem o lado aquecido.

Além disso, a teoria das expectativas racionais nos mostra que uma âncora nominal minimiza os custos da política monetária, isto é, faz com que o esforço para se conter a inflação dentro de um patamar considerado aceitável comprometa menos o crescimento econômico. No caso brasileiro, assim como na maior parte dos países avançados hoje, a âncora nominal é a meta de inflação. Uma vez definida a meta nominal de inflação, os agentes (que são racionais), tem um único parâmetro para ancorar suas expectativas e basear suas ações. Para que a âncora seja eficiente, porém, é preciso que a autoridade monetária tenha credibilidade. Se os agentes não acreditam que a meta será alcançada, a economia funciona como se não existisse uma âncora. Assim, o BC deve responder a qualquer crise para manter crível sua disposição em cumprir a meta.

Da teoria ao mundo real. Se na teoria a inflação é causada por um ou outro fator, o mundo real não é tão simples assim. Atualmente, é possível dizer que a inflação no Brasil é tanto uma inflação de custos como de demanda. A alta internacional dos preços das matérias primas aumenta os custos de produção em toda a cadeia produtiva e gera descompasso entre oferta e demanda. Por outro lado, o crescimento da economia brasileira tem como conseqüência direta o aumento do consumo das famílias. Sem falar que estamos em ano eleitoral, o que de praxe aumenta também o consumo do governo.

Quando a inflação é gerada por fatores distintos, o combate – claro – se torna mais complexo. Se a inflação é de custos, o mais plausível é que sejam tomadas medida que estimulem a produção: redução de juros, de impostos, etc. Se o problema é o consumo, a melhor saída é contê-lo: redução de crédito ao consumidor e, claro, aumento de juros. A atual alta nos preços do petróleo e dos alimentos (inflação de custos) não é causada por fatores internos a economia brasileira, de modo que estimular a oferta não evitaria que os preços continuassem em alta. Aqui um bom resumo sobre a famosa crise dos alimentos, deixando claro que o buraco é mais embaixo. Resta, então, o combate a inflação de demanda. E é isso que o BC vem fazendo: controle de crédito ao consumidor e aumento dos juros.

Perigo a vista? Como vemos, a atual crise de preços não é um fenômeno isolado nem setorialmente, nem geograficamente. Em um mundo global, os problemas suas causas e conseqüências também são globais. Uma resposta isolada do BC brasileiro, do FED americano não são mais suficientes para controlar a crise. É preciso uma ação global. Manobrar um barquinho é fácil. Manobrar o transatlântico que é a economia mundial é uma tarefa bem mais complexa. Exige coordenação, tempo e paciência. Durante a manobra, ou derrubamos a demanda e causamos uma recessão, ou convivemos com uma inflação um pouco mais salgada, próxima ao teto da meta. E é aqui que mora o perigo. Conviver com uma inflação mais salgada significa perder renda real e ninguém quer perder renda real. Então, o que fazemos? Ah! Claro, trazemos de volta nossa velha amiga conhecida: a correção monetária!

Se existe um perigo na atual crise de preços é a discussão acerca da volta da indexação. A hiperinflação dos anos 80/90 no Brasil só foi possível graças a correção monetária. Os preços subiam exageradamente? Sem problemas: impostos, tarifas, aluguéis e salários iam atrás, automaticamente. O problema da correção monetária é que ela encomenda para o futuro a inflação corrente, de modo que a política monetária é bem menos eficiente. Com o Plano Real, a cultura da correção monetária perdeu força, mas, não se enganem, não morreu. Contratos de aluguel, planos de saúde e mensalidades escolares, por exemplo, continuam sendo atrelados a índices de inflação passada. Isso sem falar de quase todas as tarifas públicas. Com o tempo, na medida em que a inflação se mantinha “comportada”, a indexação nesses contratos foi perdendo importância, mas não foi extinta. Porém, só isso não seria capaz de trazer o monstro da inflação de volta. Afinal, tudo isso está ai desde 1994. O perigo existe quando os custos mais importantes para as empresas são automaticamente ajustados pela inflação: impostos e salários.

Admitir a volta da indexação seria tomar a crise atual como um novo paradigma, aceitar que, com algum atraso, Malthus estava certo. A perda de renda real dos trabalhadores deve sim ser compensada com reajustes salariais. Mesmo porque, a economia se encontra num momento de crescimento. Mas admitir a volta de mecanismos de correção monetária, isso sim, seria uma herança maldita.

Junho 30, 2008

Microsoft: só o Bill Gates não quer mais trabalhar lá (by carlos)

Uma notícia interessante a respeito de quantas pessoas estão deixando a Google (sim, sim, a Google) para ir trabalhar na Microsoft. Tem um apanhado aqui. E também uma matéria da Fortune. Parece que o tal ambiente de trabalho ultra-cool da Google só agrada quem acabou de se formar…

Lógico que existem alguns mitos sobre trabalhar na Microsoft, mas eles fazem questão de esclarecer.

Aproveitando, o Pato vai sentir saudades do Bill Gates e deseja um bom trabalho na fundação dele. Fica a pergunta de como vai ser pra ele trabalhar com alguma coisa que não dá pra reiniciar… =P

PS: Eu adoro o Windows, mas a piada foi inevitável. Aliás, eu diria que é política da empresa. Aqui mais um vídeo… só que sobre o último dia de trabalho do Bill (com participações de George Clooney, Bono Vox, Al “Inconvenient-and-pain-in-the-ass” Gore, etc).

Junho 23, 2008

Bem lembrado (by taciana)

Quem pode, pode? Aqui.

Junho 18, 2008

Os 11 militares estão presos. E os traficantes?

O Exército virou a Geni da vez. O governador do Rio, o ministro da Justiça e o efelentíssimo querem distância da instituição (que está subordinada a Lula, foi enviada para trabalhos urbanísticos por Nelson Jobim e recebida por Cabral), e o Judiciário cumpre a missão salvadora dizendo: ‘fora’. Não é que Reinaldo Azevedo tinha razão? Reproduzo aqui um post dele:

Título: O Exército e o Morro da Providência 3 – O falso confronto.

Ninguém sabe quantos corpos o narcotráfico faz por dia. Por ocasião do assassinato de Tim Lopes, a polícia chegou a áreas antes restritas aos criminosos. Encontraram-se verdadeiros cemitérios clandestinos. Tudo é resolvido por lá mesmo, como se fosse um problema da “própria comunidade”, sem “interferência externa”, da polícia ou do Exército. Quando são as forças legais que matam ou, como parece ser o caso, deixam matar, então temos os protestos em penca: ONGs, entidades de defesa dos direitos humanos, OAB… Não as censuro por isso, não. Se não pudermos contar com a lei, com quem vamos contar? Há que se protestar mesmo! O Exército está lá para oferecer segurança. Mas por que essa gente é tão seletiva? Justifico o clamor de agora diante das mortes excepcionais. O que não entendo é o silêncio cúmplice diante das mortes rotineiras. Fui claro?

Quando se dá a guerra de facções ou quando um grupo ajusta as contas com aqueles que não cumprem as ordem do comando, o asfalto branco se cala. Fica parecendo que logo ali acima estão, sei lá, os ianomâmis ou alguma tribo isolada, com direito a viver segundo as suas próprias leis. Os que rejeitam que o estado de direito suba o morro — e, lamento dizer, será à força, sim — estão apenas sendo cruéis à sua maneira. Mas, é certo, é para garantir a lei que as Forças Armadas deveriam ocupar o morro, não pra praticar o crime.

Por que faço essas observações? Porque já começo a perceber o narcotráfico a ditar a pauta, opondo uma suposta comunidade vítima da truculência a um suposto Exército assassino. E esse, obviamente, é o falso confronto. O verdadeiro é outro: é o que se dá entre o crime organizado e os cidadãos honestos que moram na favela.